…Porque quem é vivo sempre aparece! Cumprindo fielmente a minha resolução de só postar quando tiver algo interessante a dizer, aqui vai um pequeno resumo sobre o debate sobre Jornalismo Literário (Jornalirismo) que ocorreu na última terça-feira no SENAC Lapa.
_______________________
Embora fosse apenas pouco mais de 6 horas da tarde, o céu já havia escurecido e a noite já invadia São Paulo. O cenário era o auditório localizado no estabelecimento de ensino SENAC, no bairro da Lapa. Dentro do local, havia pouco movimento. Algumas pessoas aqui, outras acolá, alguns funcionários organizavam o debate, faziam teste de som, zanzavam.
O público ainda era pequeno. Ninguém chega com uma hora de antecedência em um evento. Às 18h30 o cenário não havia mudado muito. Uma quantidade sensivelmente maior de pessoas já se encontrava no auditório, mas ainda estavam todos muito dispersos. Por volta das 19h00, os que haviam chegado com maior antecedência têm seu primeiro deleite da noite: Daniel Piza, editor-executivo e colunista de cultura do jornal O Estado de S. Paulo adentrava o recinto.
Aos poucos, o salão antes vazio começa a se encher. Os outros palestrantes também começam a chegar: Eliana Brum,autora,repórter especial da revista Época e única mulher da mesa; Sergio Vilas Boas, repórter e professor universitário e Allan da Rosa, poeta e dramaturgo. Às 19h40 a sala já estava cheia e a agitação era crescente. Quando Pedro Bial, repórter e apresentador da Rede Globo finalmente chega às 19h50, as últimas preparações são feitas, os palestrantes se colocam a postos e o debate, enfim, tem início.
ERA UMA VEZ UM JORNALISMO INDEPENDENTE
O debate Jornalirismo está inserido no contexto do lançamento do mais novo curso de jornalismo do Senac , o de Jornalismo Literário,ministrado pelo professor Guilherme Azevedo. A primeira questão colocada em pauta no debate foi relativa à independência do jornalismo. “É possível fazer um jornalismo independente?”. Para o jornalista cultural Daniel Piza, “É possível, (…) mas é difícil”. Piza cita exemplos como Paulo Franz e Millôr Fernandes, a seu ver, jornalistas que conseguiram ser independentes. Para ele, “o jornalista independente não é aquele de esquerda ou direita, integrado ou apocalíptico (…) o gênio não é um tipo de pessoa, o gênio é uma obra. Existem jornalistas independentes sim, mas são poucos”.
Bial, respondendo à mesma questão, salientou hoje a comodidade existente dentro do meio jornalístico. Segundo ele, “o senso comum é que pauta a maioria dos gestos e exprime a preguiça de pensar de muitos jornalistas (…) deve existir uma busca cotidiana: acordar todos os dias disposto a ver e a enxergar”. Eliana Brum complementou Bial, afirmando que “ser repórter é olhar para ver” e que “começamos a ser repórteres duvidando de nossas próprias certezas”.
MITOLOGIA E JORNALISMO
O debate prosseguiu a partir da colocação do mediador Guilherme Araújo, que será o professor docente do curso Jornalismo Literário no SENAC: o jornalismo deveria abandonar cada vez mais a visão mecânica para aproximar-se do mito.
Para Sérgio Vilas Boas esta transição para o mito revela um “prazer no trajeto e não no destino”, uma vez que há muito os fins têm valido mais que os meios, essa aproximação torna-se muito proveitosa para o jornalismo. Eliane Brum com sua peculiar serenidade e seu discurso poético, ao se expor complementou Vilas Boas “esse é o resgate da subjetividade”, disse.
O DEBATE
Como era de se esperar, as discordâncias começam a tomar conta do auditório. Pedro Bial tomou microfone para fazer algumas considerações sobre tudo o que tinha sido dito até então. Discordando do que Sérgio Vilas Boas havia dito anteriormente, o apresentador afirmou categoricamente que o jornalismo impresso não vai acabar. Para ele, as pessoas simplesmente não conseguem acompanhar a quantidade de informações para cima delas. “Um amigo disse uma vez:’ não consigo apreender nada! Tento prestar atenção naquela quantidade de imagens que ficam passando na tela e ao mesmo tempo acompanhar o que estão falando. Acabo não entendendo nada!’ ”, comentou.
Sérgio Villas Boas ainda faz algumas alfinetadas à grande mídia e à Rede Globo em particular, o que acabou por tornar o debate um tanto quanto enfadonho. Seu discurso acabou se repetindo e se tornando vazio. A platéia também começa a se dispersar…
BALANÇO
De forma geral o debate foi interessante, mas o jornalismo literário em si não foi o cerne da discussão, o que não fez muito sentido dado o nome do evento ser Jornalirismo . O debate se encerrou às 22h com perguntas da platéia que foram enfadonhas, tratando mais de questões e dramas pessoais do que de temas que poderiam de fato agregar algo à discussão anterior.