“Gastronomia é tão cultura quanto qualquer outra arte”

Para a crítica gastronômica Ailin Aleixo, comer vai muito além de uma simples refeição. Não chega a ser arte, mas é peça essencial na construção de uma cultura.

Pão de cerveja Guinness, de figo seco com gorgonzola, croissant de amêndoas e até mesmo geleia de morango com manjericão são alguns dos elementos exóticos que fazem parte não só do menu de uma pequena padaria recém inaugurada na Vila Madalena, a Julice Boulangère, como também do extenso repertório gastronômico  de Ailin Aleixo, editora da revista Alfa dona do blog Gastrolândia e crítica da área.

Mal sentamos em uma das mesinhas no jardim dessa padaria nada tradicional, Ailin já se levanta. “O serviço aqui não é muito bom. Vou ter que chamar um dos garçons e já volto”. Ela diz isso, entretanto, não com a arrogância que muitos pressupõem existir nos críticos, mas com a naturalidade de quem está acostumado a avaliar de forma exigente todos os passos da experiência gastronômica.

É saboreando um delicioso brunch com pães artesanais, manteiga, queijo branco, croissants, cappuccino e chocolate quente, que Ailin conversa de forma quase metolinguistica sobre sua paixão e seu trabalho – comer e escrever.

- Qual é sua formação e como você foi cair no mundo da gastronomia?

Então, me formei publicitária, mas já comecei trabalhando como jornalista desde que saí da faculdade. Virei editora da revista VIP aos 21 anos e foi lá que uma colega minha despertou essa paixão que tenho hoje pela gastronomia. Desde então, não parei. Depois trabalhei na Viagem e TurismoPlayboy e desenvolvi o projeto editorial da seção de gastronomia da Época.  Hoje sou editora da Alfa e escrevo no meu blog, o Gastrolândia.

- Você sente preconceito das pessoas quando diz que é crítica gastronômica?

Tem duas vertentes: ou as pessoas acham que crítico gastronômico é o todo poderoso, ou o que não sabe absolutamente nada. Eu acho que, como em qualquer outra crítica, tem uma parte do trabalho que é conhecimento técnico e tem uma outra parte que, querendo ou não é subjetiva, pessoal.

Porque é meio impossível não ser. É impossível ser 100% impessoal, sendo que todas essas coisas de que se faz critica passam pelo nosso crivo, pelo nosso gosto pessoal – por mais que a gente tenda a amortecer.

Na crítica gastronômica você tem q viajar muito, estudar muito, comer muito, conversar muito com os profissionais. Tem que conhecer como funciona uma cozinha, porque quando vem um prato você tem que saber o grau de dificuldade daquilo.

- Tem que saber cozinhar também?

Não tem, mas eu acho interessante. É a mesma coisa que um crítico de música que não tem noção de como pegar em um violão. Quando você critica, analisa alguma coisa, é essencial entender tudo que está por trás daquilo. Sabe, quando chega um pão daqui para mim, por exemplo, e eu sei que ele é com levain natural [pão de fermentação natural], que demorou uma semana para ficar pronto. Não da pra eu analisar esse pão do mesmo jeito que um pão francês gostosinho. Então eu acho que passar na pele um pouco o que o profissional que faz isso passa é essencial para conhecer o processo.

- Você disse que tem uma parte subjetiva da avaliação que é inevitável. E a parte que não é a subjetiva funciona como? O que tem que ser levado em conta na hora de fazer uma crítica?

Objetivamente você tem que saber a receita original daquilo, pra saber se o cara esta fazendo uma releitura ou uma receita original. Você tem que saber o ponto de cozimento certo das coisas, a apresentação tradicional…enfim, tem que ter um know-how daquilo.

Porque, se eu adoro comer, mas eu nunca estudei nada, e alguém vira para mim e diz: “Eu fiz um bolinho de peixe incrível que é servido frio, com um molho de beterraba” e eu publico isso como sendo uma coisa nova, eu estou errada.

Isso  é uma receita que é feita na cozinha judaica há 400 anos… Então se eu não conheço, é muito mais fácil cometer gafes. E critica gastronômica, assim como qualquer outra, é questão de referencial. À medida que você vai conhecendo, experimentando, seu referencial vai aumentando.

- É uma questão de repertório também?

Sim, é uma questão de repertório e referencial. O que acontece hoje no Brasil, de uns oito anos para cá, é que teve um movimento muito legal em parte por causa do Alex [Atala, chef de cozinha] de popularização da gastronomia. E depois que aumentou o poder aquisitivo dos brasileiros, as pessoas começaram a sair mais pra comer fora, muitos cozinheiros foram se formar em escolas no exterior e voltaram pra cá com uma bagagem diferente.

Então hoje você realmente tem um repertorio de cozinhas e técnicas imensamente maior do que se tinha 10 anos atrás. O que acontece é que isso também aumentou o mercado. Tem muita gente escrevendo do que não entende absolutamente nada, mas isso não é só com comida. Os jornais pagam muito pouco, então tem gente fazendo critica de musica na Folha, por exemplo, que está no último ano da faculdade. O cara pode ser incrível, mas ele ainda não tem repertório. Assim, não dá.

- E as pessoas que escrevem em blog de gastronomia? Tem muitas hoje em dia.

Todo mundo tem blog, é muito legal dividir e compartilhar suas impressões sobre as coisas, só que essas pessoas começaram a ser levadas muito a sério. Tem gente que se leva muito a sério.

- Alguns comentários no seu blog são muito violentos…

Mais ou menos 80% dos meus amigos são chefs hoje em dia. E é muito engraçado, porque nem eles são tão radicais assim com as coisas.  Mas é que gastronomia virou um uma paixão. Acho que a primeira paixão de um ser humano é comida e isso virou algo que dá status. Falar, entender de gastronomia dá status. Tem um lado que eu acho divertido, porque eu gosto de compartilhar, mas tem um lado bizarro de prepotência, de “eu entendo mais do que você”.

Mas eu acho que isso acontece com todas as críticas. Crítica de música de jornal, por exemplo, acaba brigando um com o outro. Existe uma necessidade humana de se sentir superior ao outro, mas isso está acontecendo mais com gastronomia porque é algo que se popularizou e mais gente se interessa pelo assunto. Há cinco anos você não tinha os dois maiores jornais do país com cadernos dedicados a gastronomia. Você não tinha nem cinco títulos de gastronomia no Brasil.

- Você estava falando que, pra você conhecer e ter aquele repertório, precisa comer muito, falar muito, ler muito, etc. Mas existe uma forma de adquirir um conhecimento mais técnico? Eu sinto falta disso.

Tem curso de cozinha. Porque onde você vai adquirir um conhecimento técnico é na cozinha. Você não precisa fazer faculdade, mas tem um monte de curso legal em São Paulo que você aprende a fazer efetivamente a coisa. Um curso teórico de gastronomia eu acho uma coisa meio complicada. Eu acho a mesma coisa de um curso teórico de pintura: uma hora você tem que botar na prática, uma hora você tem que fazer o negócio.

O meu conhecimento teórico eu adquiri em cozinha, não cozinhando, mas conversando com chef, olhando o movimento, ficando dentro pra ver como é que faz o negócio. Eu acho que, pra quem gosta, é muito legal fazer alguns cursos porque muda muito a perspectiva. Você começa a ter noção que fazer um arroz branco perfeito parece boçal, mas é tão difícil quanto fazer mais incrementado. Por que? Porque você não tem nada para esconder. As coisas mais simples são as mais difíceis.

- Você acha que gastronomia é uma arte?

Eu acho que gastronomia é tão cultura quanto qualquer outra arte. Ela é uma parte importantíssima da cultura de qualquer povo. Eu considero arte pessoas que revolucionam isso, assim, tipo o Adrià [Ferran Adrià, chef espanhol conhecido por fazer gastronomia molecular]. Eu acho que o que ele faz está muito próximo da arte porque ele desconstruiu a comida.

Mas não, não considero a gastronomia uma arte, eu considero a gastronomia uma parte intrínseca da cultura de qualquer povo. Outro dia eu tava entrevistando o Andrew Zimmer do Comidas Exóticas [programa de televisão do canal Discovery Travel & Living]. . Ele falou uma coisa muito interessante: “Eu aprendo muito mais sobre um povo indo no mercado do que indo em museu.” Por um lado ele tem toda razão. Porque a gastronomia é a cultura viva. Tudo na gastronomia tem uma história, tem um background histórico.

- Você acha que aprecia mais um prato quando conhece toda a história dele?

Eu não sei. Eu acho que eu aprecio mais uma boa poesia quando eu conheço a vida do poeta também. Sabe? Eu adoro Manuel Bandeira. Se eu não conhecer eu vou continuar gostando mas sabendo porque o cara escreveu aquilo sempre dá uma mudada, sempre dá um sentimento diferente. Você não precisa saber, mas acho que saber nunca é demais. Ninguém precisa colocar a biografia no cardápio porque no final das contas a pessoa quer saber se é bom ou se é ruim.

Existe substituto para Chávez na Venezuela?

Presidente retorna para Cuba para se tratar de um câncer e deixa o futuro político do país indefinido
A recente ausência do presidente venezuelano Hugo Chávez para o tratamento de um câncer em Cuba e a nova viagem que ele realizou no sábado para o mesmo país para dar continuidade à luta contra o câncer suscita questões a respeito do futuro político na Venezuela.O fato de Chávez ter decidido comandar o país a partir de Havana durante sua ausência e de ter delegado apenas parte de suas funções ao vice-presidente Elías Jaua mostrou o quanto o poder na Venezuela está concentrado nas mãos de apenas um líder.

Para Cristina Pecequilo, doutora em Ciência Política pela USP e Professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a situação política da Venezuela neste momento é bastante instável.

“O grande problema da Venezuela, principalmente para o Hugo Chávez, é que no ano que vem tem a previsão de realização de uma eleição, e o país continua polarizado entre as forças populares e políticas que apoiam ele e as forças que são o contrário”, explica.

A volta de Chávez após a realização de uma cirurgia em Cuba teria sido, assim, uma forma de reafirmar seus objetivos para o eleitorado e de organizar minimamente o cenário politico.

“A volta dele dá a mostra de que haverá uma preocupação muito grande com a continuidade eleitoral. Ele voltou para dar uma aparência para a população de que, para os que o apoiam, ele está doente mas continua combatendo e, para os adversários, que ele está ainda acompanhando o processo”, afirma Cristina.

Oposição

Apesar da brecha deixada por Chávez durante sua breve ausência, a oposição do país não teve tempo suficiente para se organizar e acabou reagindo de forma muito tímida. “Essa brecha não permitiu uma reorganização rápida, tanto que foi por isso que ele voltou, para tentar ser o articulador político desse processo e tentar reordena-lo. Então a oposição ainda está um pouco perdida”, estima a cientista política.

De seu lado, Chávez afirma que não haverá transição no governo e dá a entender que se candidatará às eleições de 2012.  “A oposição e a contrarrevolução andam tramando por aí, dizendo que Chávez já está acabado, que está morrendo, que tem que entregar (o poder), que virá uma transição antes das eleições (…) Se Deus quiser e com a vontade que temos vamos superar tudo isso”, afirmou Chávez em entrevista à imprensa local.

Eleições

O cenário para as eleições presidenciais da Venezuela para o ano que vem ainda é incerto e, por enquanto, não existem sucessores para Chávez nem do lado da oposição, nem dentro do partido do presidente.

Embora o vice-presidente atual de Chávez já tenha sido estimado para sucedê-lo, ele não é bem visto por facções de dentro partido chavista, por ser considerado ainda mais radical que o presidente. Assim, a escolha de um sucessor ainda é indefinida.

“Essa questão não está decidida porque o Chávez sempre centralizou muito o poder no partido. Então, de certa forma, existe uma desarticulação tanto na oposição quanto na própria situação. Os dois lados estão desarticulados e polarizados”, afirma Cristina.

EUA: prazo para acordo está se esgotando

O impasse da elevação do teto da dívida pública coloca em cheque a classe política americana e deixa o país em posição perigosa

 

Um impasse toma conta do governo americano. Deputados e senadores, republicanos e democratas tentam chegar a um acordo sobre a elevação do teto da dívida do país, que atinge atualmente a marca de US$ 14,294 trilhões.

Se os dois partidos não chegarem a um consenso e aprovarem um plano que eleve o teto da dívida até a próxima terça-feira, o país corre o risco de entrar em default, obrigando o governo a fazer cortes nos gastos públicos, que atingirão fatalmente a população.

Na noite da última sexa-feira, a Câmara, de maioria republicana, finalmente aprovou um projeto para elevação do teto – que foi prontamente rejeitado no Senado, de maioria democrata. Uma nova proposta dos democratas também não foi aprovada na noite deste sábado na Câmara, fazendo o clima de tensão aumentar a poucos dias do prazo final para um acordo.

Evaldo Alves, coordenador do curso de Negócios Internacionais e Comércio Exterior da FGV (Faculdade Getúlio Vargas), explica como a crise aconteceu. “Os Estados Unidos atingiram um limite. O endividamento e emissão de títulos da dívida pública americana não pode passar de US$14,3 trilhões e eles já estão atingindo esse patamar”.

O grande empecilho pra solucionar a questão, entretanto, reside nas dissonâncias entre republicanos e democratas. “Os republicanos concordam em aumentar o limite da dívida desde que os impostos não cresçam, optando pelo corte de gastos. Os democratas concordam em cortar gastos, mas  dizem que os impostos têm de aumentar”, explica Evaldo.

Crises como essa no endividamento público, entretanto, não são novidades no país. “É um fator que vem se prolongando desde a última década. Nos últimos anos o governo Bush fez um corte grande de impostos e ao mesmo tempo continuou aumentando os gastos. O Clinton também passou por isso em 1995, quando os republicanos também não quiseram negociar com ele”, relembra Cristina Pecequilo, doutora em Ciência Política pela USP e Professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Consequências

Caso um acordo não seja feito e os EUA não aumentem o teto da dívida, as consequências para o país serão grandes. Os cortes de gastos terão impacto direto na população e atingirão as aposentadorias, pensões para viúvas, veteranos de guerra e até mesmo a área da saúde.

Para Evaldo Alves, entretanto, a possibilidade de calote é baixa. “Eu  não acredito que isso possa acontecer, seria o supra sumo da falta de bom senso. Isso no mercado financeiro é muito ruim, seria realmente uma posição muito degradante para um país hegemônico como os Estados Unidos”, comenta. Segundo o professor, nem mesmo o Brasil sairia incólume da situação, já que é hoje em dia o nono maior parceiro comercial dos Estados Unidos.

Obama

Para sair do impasse que já afeta sua popularidade, Obama recorreu até mesmo ao Twiter, pedindo aos seus seguidores e à população que pressionem os senadores e deputados para chegarem logo a um acordo. O índice de aprovação do presidente também caiu para 40%, informou uma pesquisa divulgada na última sexta-feira, resultado da situação econômica do país e da crise da dívida pública. Esse impasse, entretanto, não prejudica somente Obama, na opinião de Evaldo Alves.

“Isso esta afetando o Obama, mas também a popularidade dos republicanos. No fundo, fica a sensação de que a classe política não esta ali para discutir o que é melhor para o país, mas opiniões pessoais acima do interesse nacional”, estima.

Neste sábado os líderes democratas no Congresso se reuniram com Obama na tentativa de conseguir um acordo com os republicanos. Para Cristina, a situação em que o presidente se encontra agora é um sintoma de que seu governo não anda bem. “O Obama não está perdendo só a batalha econômica. Também está perdendo a batalha política”, afirma.

Rebaixamento de crédito não deve afetar EUA

Apesar do rebaixamento do rating americano de AAA para AA+, o principal problema da economia é o baixo crescimento

A recente crise da dívida americana e o rebaixamento da nota do rating de crédito dos EUA pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s de AAA para AA+ criaram um clima de incerteza não só no país como no resto do mundo: uma nova crise econômica estaria a caminho dos Estados Unidos e poderia afetar, mais uma vez, o resto do mundo?

A reação das bolsas européias nesta semana, que sofreram forte queda, contribuíram ainda mais para o cenário de incerteza que começa a se formar ante a economia americana. Para o professor Sidival Guidugli, mestre em Economia pela London University e doutor na mesma área pela Universidade de São Paulo, o rebaixamento da nota de crédito dos EUA não representa, em termos práticos, um perigo para a economia.

“Substantivamente não muda muito, porque, apesar do rebaixamento de uma empresa de rating, as outras mantiveram a classificação AAA e os títulos dos Estados Unidos continuam sendo os mais seguros que você tem no planeta”, afirma Sidival.

O próprio Obama, durante um pronunciamento, subestimou a importância do rebaixamento.

“O fato é que não precisamos de uma agência de rating dizendo ser necessária uma abordagem equilibrada e de longo prazo para a redução do déficit: isso era verdade na semana passada, era verdade no ano passado e era verdade no dia em que assumi o governo”, afirmou.

Queda nas bolsas

A queda em cadeia das bolsas, de acordo com Sidival, também não estaria relacionada ao rebaixamento da classificação, mas sim com um fator mais preocupante.

“O motivo principal da queda nas bolsas tem a ver com a baixa taxa de crescimento da economia americana. As bolsas reagiram mal porque ficou evidente nessa semana que a economia dos EUA, que parecia estar retomando o crescimento, está crescendo pouco – o que é ruim pra economia americana e mundial”, explica.

Em 2010 a economia do país cresceu apenas 2,9%. Uma estimativa do FED (Banco Central Americano) também não trouxe expectativas animadoras: os EUA deverão crescer não mais que 3% neste ano enquanto a China, por exemplo, cresceu 9,6% apenas no primeiro semestre de 2011.

Apesar da queda

Apesar do cenário pouco favorável para o crescimento, os Estados Unidos ainda detêm um grande poder econômico e alto volume de negócios, podendo influenciar outras economias do globo.

“Até onde podemos vislumbrar, eles continuarão sendo a maior economia pelos próximos anos apesar da taxa de crescimento de outros países, como a China. Eles passaram por um período de turbulência mas eles continuam sendo a economia mais influente”, garante o especialista.

 

Ensaio sobre a memória

No último dia 8 de maio, comemorou-se os 65 anos do fim da 2ª Guerra Mundial. Em Berlim, na Alemanha, um evento interessante ocorreu para celebrar a data: perto da Potsdamer Platz, uma das praças mais importantes da capital alemã, foi inaugurado um novo centro de documentação da exposição permanente denominada “Topografia do Terror”.

Seu macabro nome justifica-se levando em conta que, nos anos da guerra, a área que hoje ocupa abrigava, em um único edifício, o QG do Reich, a sede da SS e da Gestapo – as principais instituições responsáveis pela disseminação do terror pela Europa de 1939 a 1945.

Após o término da guerra, o edifício foi derrubado. Em 1987, para as comemorações dos 750 anos de Berlim, a exposição foi inaugurada ao ar livre e, 3 anos mais tarde, um novo edifício foi construído para acomodá-la.

O novo centro de documentação custou €26 milhões e, em sua inauguração, o presidente alemão Horst Köhler declarou que “quando ficamos a par do que os algozes nazistas fizeram, percebemos que a liberdade, os direitos humanos, a tolerância e a democracia são valores frágeis”.

Corta. Brasília, 29 de abril de 2010. Por 7 votos a 2, o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeita  ação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que pretendia mudar a Lei da Anistia e punir militares que estiveram envolvidos nos crimes ocorridos na ditadura. Em outras palavras, os assassinos e torturadores da ditadura brasileira permanecerão impunes – provavelmente até morrerem.

A roupa continua suja

Dizem que brasileiro não tem memória. Mas a verdade é que, pior que isso, brasileiro não liga pra memória. Assim, a tortura e o “desaparecimento” de milhares de opositores do regime militar é só mais um detalhe da História que não faz diferença. Afinal, já passou, já era, já superamos essa fase. A ministra Carmen Lúcia, que votou pela manutenção da lei, resume bem esse pensamento: “Nem sempre as leis são justas, embora elas sejam criadas para ser”. Paciência, né.

Quando a Lei da Anistia foi estabelecida em 1979, o Brasil ainda era uma ditadura militar. Foi o próprio presidente Figueiredo que promulgou a lei, que acabou passando no Congresso. Portanto, a Lei da Anistia que vigora até hoje foi criada por um militar, durante a ditadura militar para beneficiar (pasmem) os próprios militares.

A rejeição da mudança da lei diz muito sobre o Brasil. Além de ser um dos indicadores do deficiente processo de democratização do país, mostra a dificuldade que as autoridades têm em lidar com o passado, em romper de uma vez por todas com ele. Todos os outros países da América Latina que passaram por regimes militares (a maioria deles muito mais duros que o do Brasil) puniram seus torturadores, menos nós. A roupa da ditadura continua suja – e dificilmente será lavada.

Indo mais longe, é possível ainda explicar a impunidade policial tão recorrente no país a partir desse fato. O silêncio e o consentimento da população em relação a abusos, torturas e assassinatos cometidos pelas autoridades é apenas a extensão de algo que já acontece há tempos.

Mea culpa

Mea culpa. É isso que a Alemanha vem fazendo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há 65 anos. É verdade que houve pressão internacional para que o país se redimisse por ter, simplesmente, proporcionado à humanidade seus tempos mais negros. Não se pode negar que foi essa mesma pressão internacional que levou, logo após o término da Guerra, os principais criminosos a serem julgados nos Tribunais de Nuremberg. No entanto, não se pode menosprezar o esforço voluntário do país em acertar as contas com o seu passado – relembrando-o, remoendo-o e, principalmente, assumindo-o.

Assim, a inauguração do centro de documentação da exposição Topografia do Terror, qualificado pelo próprio presidente alemão como “o lugar mais ligado aos crimes nazistas, diz muito sobre esse país. Milhões de euros foram investidos na preservação de umas das memórias mais doloridas da humanidade – geradas por eles mesmos. O presidente Köhler, em visita ao campo de concentração de Dachau, alertou que “os horrores dos Nazistas não devem nunca ser esquecidos”.

Relembrar é viver…

…e se forçar a esquecer é negar para si mesmo que a história aconteceu. Ao “deixar para trás” as mazelas da ditadura, o Brasil deixa inacabado um período importante de sua história, dificultando a superação do passado. Tortura é um crime contra a humanidade e, portanto, não passível de anistia. Navi Pillay, comissária da ONU para Direitos Humanos, desaprovou a atitude do Brasil em não rever a lei, qualificando o gesto como um “autoperdão que o século 21 não pode mais aceitar”.

Nesse sentido, o Brasil tem muito a aprender com a Alemanha. As autoridades do país fazem questão de investir na memória, de relembrar os tempos do nazismo e impedir que situações da mesma natureza venham a se repetir no futuro.

No fim da 2ª Guerra Mundial a Alemanha teve que reconstruir não somente um país destroçado fisicamente, mas também moralmente. Em 2009 o presidente Köhler declarou que “o luto pelas vítimas, a vergonha pelos horríveis atos e a busca pela reconciliação com o povo judeu e os antigos adversários da guerra conduziram às ‘raízes da nossa República’”.

Já dos lados de cá do Atlântico, o Brasil continua a ser o que sempre foi. Falta disposição e coragem para olhar para trás e tentar modificar o que somos agora – nem mesmo o ministro Eros Grou, que foi preso durante a ditadura, votou contra a manutenção da lei.

Na América Latina, o Brasil é o único país que ainda não julgou os responsáveis pelos crimes ocorridos no seu regime ditatorial. É como se algo nos impedisse de ir para frente. Como bem destacou Navi Pillay, “o Brasil está ficando isolado. Parece que, como na Espanha, as forças que rejeitam olhar para o passado estão prevalecendo”.

Caos organizado em A Town Called Panic

Frenética e bizarra, produção belga é uma obra prima da animação.

Panique au Village é hors concours, literalmente. Exibido em Cannes fora de competição, o filme é uma animação em stop-motion criativa e genial, fruto do trabalho intenso dos realizadores belgas Stéphane Aubier e Vincent Patar. Mais de 144 mil frames, 200 litros de cola para madeira, 45 mil tijolos em miniatura e 260 dias de filmagem deram vida a essa obra prima da animação.

O enredo é bizarro. Índio e Cowboy, minúsculos bonequinhos em plástico (assim como todo o resto do “elenco”), moram com Cavalo e decidem lhe comprar um presente de aniversário: uma churrasqueira. Para tanto, precisam comprar tijolos a fim de confeccioná-la. O problema surge quando, ao invés de encomendarem 50 tijolos, acabam, acidentalmente, pedindo a modesta quantia de 50 milhões.

Esse é o ponto de partida para uma série de acontecimentos estranhos e catastróficos que acontecem na vida dos três personagens. Passando do pacato vilarejo às profundezas da terra, ao mar e à neve, a aventura de Cavalo, Índio e Cowboy, que faz rir a todo o momento, segue um ritmo frenético. O improvável não encontra limites nessa produção: Cavalo dorme em pé, colado à parede, de cobertor e travesseiro. Índio e Cowboy, assim como nos filmes western, vivem em eterna disputa.Steven,o fazendeiro, devora no café da manhã uma torrada com Nutella em tamanho natural – ou seja, mais do dobro de seu tamanho.

No entanto,embora o absurdo seja uma constante no longa, ele não chega a ser non-sense. A história segue uma progressão clara, pontuada por diversos clímax, prendendo,assim, a atenção de quem assiste durante os 76 minutos de filme. Mas nem só de histeria é feito Panique au Village. Os personagens são dotados de certa dimensão humana: Cavalo, por exemplo, é completamente apaixonado por Madame Longrée (uma égua que dá aulas de piano) e se acanha cada vez que fala com ela. Além disso, a maioria dos elementos do filme, de brinquedo, remete a uma infância comum a todos,trazendo um gosto de nostalgia.Em Panique au Village tudo pode acontecer: o bizarro se mistura ao sensível, mostrando que mesmo em meio ao caos é possível encontrar um quê de poesia.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

O Cronometrista,terceiro longa de Louis Bélanger, acerta ao revelar as facetas sombrias que a natureza humana adquire em situações extremas.

O Cronometrista (The Timekeeper,Canadá, 2008), produção do diretor Louis Bélanger baseada no romance homônimo de Trevor Ferguson, narra a estranha história de Martin Bishop (Craig Olejnik), um canadense de dezoito anos, que, após o falecimento do pai, perde todas suas posses. Na miséria, o jovem se vê obrigado a trabalhar na construção da Grande Ferrovia de Slave Lake para poder sobreviver. Imerso no outono da tundra canadense – uma floresta ao noroeste afastada de qualquer sinal de civilização -, Martin conhece Fisk, chefe das obras e carrasco, que obriga sua legião de 73 trabalhadores a seguir um ritmo caótico de produção: 52 milhas em 52 dias.

A maioria dos homens sob seu comando, pobres, bandidos, analfabetos ou miseráveis, se deixa explorar para conseguir um pagamento ínfimo ao término dos dias. Martin é empregado por Fisk para ocupar o cargo de “cronometrista”, uma vez que o seu predecessor havia “desaparecido”. Sua função é gerir as horas de trabalho de cada um dos 73 homens e manter todos os dados atualizados. Mas o jovem logo percebe a maneira tirana com que Fisk lida com os trabalhadores, explorando, manipulando as horas trabalhadas, abusando de força e de poder, e resolve não ficar calado, questionando e sabotando os métodos do carrasco.

O chefe de obras logo expulsa Martin do campo do acampamento, e o garoto não encontra outra opção senão perambular pela floresta na companhia dos outros excluídos – os chamados garbage eaters (comedores de lixo), que garantem sua sobrevivência alimentando-se dos restos de comida dos ex-colegas.

A partir daí trava-se uma luta para viver e denunciar os abusos cometidos por Fisk. O Cronometrista foca sistematicamente no dualismo do bem contra o mal, do certo contra o errado, do justo contra o injusto – porém de uma forma criativa. Toda a jornada de Martin é guiada por seus princípios e moral, heranças inestimáveis de seu falecido pai. Porém, existe uma linha tênue separando os pólos desses valores: não raro o protagonista, é obrigado a fazer algo a princípio moralmente inaceitável, mas que, dadas as circunstâncias, acaba se justificando.

No entanto, o desempenho de Craig Olejnik deixa a desejar: o ator não consegue transmitir o sentimento de força que seu papel exige, parecendo muitas vezes mais um galã da floresta do que de fato alguém que luta para sobreviver em uma situação adversa. Ademais, o filme apresenta algumas outras falhas, como o desaparecimento repentino e fora de contexto do índio que faz parte do grupo dos garbage eaters.

No entanto, O Cronometrista possui seus méritos – e a fotografia é um deles. Longe de mostrar somente a beleza óbvia da região em que é filmado, a câmera explora a natureza selvagem e muitas vezes traiçoeira da floresta. A trilha sonora, bem pensada, se faz presente em poucos, porém bem escolhidos momentos do filme. God’s Gonna Cut You Down , de Johnny Cash, por exemplo, dá ritmo à fuga de Martin e seu companheiro Scully e transmite o sentimento dessa jornada em busca da liberdade: mais cedo ou mais tarde quem foge acaba encurralado.

Portanto,embora apresente defeitos, O Cronometrista, é em geral, um filme dinâmico e bem elaborado, revelando as profundezas da natureza humana traduzidas nos aspectos psicológicos dos personagens. Terceiro longa metragem de Louis Bélanger,o filme definitivamente faz jus à sua participação na 33a Mostra Internacional de Cinema.

O mel de Caramelo

Ok, péssimo trocadilho no título. Mas e daí? O que importa é que o filme em questão é excelente. Já faz um tempinho que eu o vi mas só tive vontade de postar agora.

O título do filme faz alusão à pasta de caramelo usada para depilação no salão de beleza SiBelle, localizado em Beirute. É nesse ambiente que 5 mulheres se reunem diariamente e dividem seus medos, alegrias e frustrações no que diz respeito principalmente a casos amorosos. Layale, que me lembra em alguns momentos Penélope Cruz e é interpretada pela diretora do filme Nadine Labaki, tem um caso com um homem casado e vive na esperança que ele se separará para finalmente ficar com ela. Jamale,obcecada pela imagem, tenta arranjar bicos na televisão  e morre medo de  medo de envelhecer. Nisrine vai se casar em breve mas  não é mais virgem, o que coloca um problema para o marido, que é muçulmano. Rima é homossexual e Rose vive para cuidar de sua irmã já muito velha, que  não bate bem da cabeça.

O filme é  uma montanha russa de emoções, alternando momentos de melancolia com outros de extrema alegria compartilhados por esse grupo de mulheres que, embora diferentes, no fundo possuem ambições e valores parecidos.A trilha sonora segue o ritmo do filme, ora com músicas alegres, ora com outras mais intimistas e tristes,cantadas em árabe, com grande carga emocional. Destaque para Mrayte ya Mrayte, que se aplica à última categoria.

No fim das contas quem assiste o filme acaba se emocionando e vivenciando junto com as personagens os dramas de cada uma. Vê-se claramente que muitos deles, como o de Nisrine, por exemplo, são típicos de uma sociedade que, embora tenha aderido à modernidade, não deixa de lado seus costumes arraigados e tabus religiosos. Apesar disso, todas as mulheres se identificam de alguma forma com essas 5 libanesas, que vivem da maneira mais pura problemas,sentimentos e dilemas universais, inerentes à vida de qualquer uma.E Nadine Labaki logrou, de forma extremamente sensível e profunda,em transmitir tudo isso numa realidade nua e crua.

Pra quem se interessar, aqui vai o trailer:


Jornalismo Literário em Pauta

…Porque quem é vivo sempre aparece! Cumprindo fielmente a minha resolução de só postar quando tiver algo interessante a dizer, aqui vai um pequeno resumo sobre o debate sobre Jornalismo Literário (Jornalirismo) que ocorreu na última terça-feira no SENAC Lapa.

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Embora fosse apenas pouco mais de 6 horas da tarde, o céu já havia escurecido e a noite já invadia São Paulo. O cenário era o auditório localizado no estabelecimento de ensino SENAC, no bairro da Lapa. Dentro do local, havia pouco movimento. Algumas pessoas aqui, outras acolá, alguns funcionários organizavam o debate, faziam teste de som, zanzavam.

O público ainda era pequeno. Ninguém chega com uma hora de antecedência em um evento. Às 18h30 o cenário não havia mudado muito. Uma quantidade sensivelmente maior de pessoas já se encontrava no auditório, mas ainda estavam todos muito dispersos. Por volta das 19h00, os que haviam chegado com maior antecedência têm seu primeiro deleite da noite: Daniel Piza, editor-executivo e colunista de cultura do jornal O Estado de S. Paulo adentrava o recinto.

Aos poucos, o salão antes vazio começa a se encher. Os outros palestrantes também começam a chegar: Eliana Brum,autora,repórter especial da revista Época  e única mulher da mesa; Sergio Vilas Boas, repórter e professor universitário e Allan da Rosa, poeta e dramaturgo. Às 19h40 a sala já estava cheia e a agitação era crescente. Quando Pedro Bial, repórter e apresentador da Rede Globo finalmente chega às 19h50, as últimas preparações são feitas, os palestrantes se colocam a postos e o debate, enfim, tem início.

ERA UMA VEZ UM JORNALISMO INDEPENDENTE

O debate Jornalirismo está inserido no contexto do lançamento do mais novo curso de jornalismo do Senac , o de Jornalismo Literário,ministrado pelo professor Guilherme Azevedo. A primeira questão colocada em pauta no debate foi relativa à independência do jornalismo. “É possível fazer um jornalismo independente?”.   Para o jornalista cultural Daniel Piza, “É possível, (…) mas é difícil”. Piza cita exemplos como Paulo Franz e Millôr Fernandes, a seu ver, jornalistas que conseguiram ser independentes. Para ele, “o jornalista independente não é aquele de esquerda ou direita, integrado ou apocalíptico (…) o gênio não é um tipo de pessoa, o gênio é uma obra. Existem jornalistas independentes sim, mas são poucos”.

Bial, respondendo à mesma questão, salientou hoje a comodidade existente dentro do meio jornalístico. Segundo ele, “o senso comum é que pauta a maioria dos gestos e exprime a preguiça de pensar de muitos jornalistas (…) deve existir uma busca cotidiana: acordar todos os dias disposto a ver e a enxergar”. Eliana Brum complementou Bial, afirmando que “ser repórter é olhar para ver” e que “começamos a ser repórteres duvidando de nossas próprias certezas”.

MITOLOGIA E JORNALISMO

O debate prosseguiu a partir da colocação do mediador Guilherme Araújo, que será o professor docente do curso Jornalismo Literário no SENAC: o jornalismo deveria abandonar cada vez mais a visão mecânica para aproximar-se do mito.

Para Sérgio Vilas Boas esta transição para o mito revela um “prazer no trajeto e não no destino”, uma vez que há muito os fins têm valido mais que os meios, essa aproximação torna-se muito proveitosa para o jornalismo. Eliane Brum com sua peculiar serenidade e seu discurso poético, ao se expor complementou Vilas Boas “esse é o resgate da subjetividade”, disse.

O DEBATE

Como era de se esperar, as discordâncias começam a tomar conta do auditório. Pedro Bial tomou microfone para fazer algumas considerações sobre tudo o que tinha sido dito até então. Discordando do que Sérgio Vilas Boas havia dito anteriormente, o apresentador afirmou categoricamente que o jornalismo impresso não vai acabar. Para ele, as pessoas simplesmente não conseguem acompanhar a quantidade de informações para cima delas. “Um amigo disse uma vez:’ não consigo apreender nada! Tento prestar atenção naquela quantidade de imagens que ficam passando na tela e ao mesmo tempo acompanhar o que estão falando. Acabo não entendendo nada!’ ”, comentou.

Sérgio Villas Boas ainda faz algumas alfinetadas à grande mídia e à Rede Globo em particular, o que acabou por tornar o debate um tanto quanto enfadonho. Seu discurso acabou se repetindo e se tornando vazio. A platéia também começa a se dispersar…

BALANÇO

De forma geral o debate foi interessante, mas o jornalismo literário em si não foi o cerne da discussão, o que não fez muito sentido dado o nome do evento ser Jornalirismo . O debate se encerrou às 22h com perguntas da platéia que foram enfadonhas, tratando mais de questões e dramas pessoais do que de temas que poderiam de fato agregar algo à discussão anterior.

Bê-a-bá de Bénabar

Não sei se já deu pra perceber, mas eu tenho uma certa (grande) queda pela cultura francesa em todos os seus níveis e acho que isso vai acabar por transparecer nos assuntos que escolho escrever por aqui.

Bem, isso posto, achei interessante falar sobre um cantor chamado Bénabar que embora não tenha quase nenhuma repercussão fora da França, constitui uma das grandes promessas da música pop do país

Bruno Nicolini, vulgo Bénabar, nasceu em 16 de junho de 1969 na província francesa de Thiais,próxima a Paris. Iniciou sua carreira profisisonal no cinema, passando a sshow em Paris,novembro de 2006er cenarista de televisão até começar, enfim, a compor músicas. Em 1997 Bénabar lança seu primeiro álbum, La  P’tite Monnaie (“A pequena moeda”), que na época passou despercebido.

É somente em 2001, com o álbum Bénabar ,que o cantor se torna conhecido no cenário musical francês, com hits como À notre santé e Y a une fille qu’habite chez moi. O cantor parte então em turnê e lança em 2003,2004 e 2005 mais três álbuns, sendo que o segundo lhe rende o prêmio de melhor álbum do ano de 2004. Com menos de 10 anos de carreira Bénabar tornou-se um ícone na França.

Suas músicas são diversificadas e o cantor se utiliza de instrumentos como o trompete, o piano e o violoncelo para se renovar constantemente. Elas tratam geralmente de temas do cotidiano, e de situações pelas quais todos os mortais já passaram: aprender a andar de bicicleta, ser obrigado ir a um jantar chato com pessoas igualmente chatas, aturar o amigo irritante que perdeu a namorada e não pára de falar um minuto nela… Tudo isso tratado de forma irreverente e humorística. A arte de Bénabar é a de produzir crônicas da vida moderna, eternizando momentos em princípio ordinários mostrando que até eles possuem sua importância.