Arquivo do mês: maio 2009

Jornalismo Literário em Pauta

…Porque quem é vivo sempre aparece! Cumprindo fielmente a minha resolução de só postar quando tiver algo interessante a dizer, aqui vai um pequeno resumo sobre o debate sobre Jornalismo Literário (Jornalirismo) que ocorreu na última terça-feira no SENAC Lapa.

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Embora fosse apenas pouco mais de 6 horas da tarde, o céu já havia escurecido e a noite já invadia São Paulo. O cenário era o auditório localizado no estabelecimento de ensino SENAC, no bairro da Lapa. Dentro do local, havia pouco movimento. Algumas pessoas aqui, outras acolá, alguns funcionários organizavam o debate, faziam teste de som, zanzavam.

O público ainda era pequeno. Ninguém chega com uma hora de antecedência em um evento. Às 18h30 o cenário não havia mudado muito. Uma quantidade sensivelmente maior de pessoas já se encontrava no auditório, mas ainda estavam todos muito dispersos. Por volta das 19h00, os que haviam chegado com maior antecedência têm seu primeiro deleite da noite: Daniel Piza, editor-executivo e colunista de cultura do jornal O Estado de S. Paulo adentrava o recinto.

Aos poucos, o salão antes vazio começa a se encher. Os outros palestrantes também começam a chegar: Eliana Brum,autora,repórter especial da revista Época  e única mulher da mesa; Sergio Vilas Boas, repórter e professor universitário e Allan da Rosa, poeta e dramaturgo. Às 19h40 a sala já estava cheia e a agitação era crescente. Quando Pedro Bial, repórter e apresentador da Rede Globo finalmente chega às 19h50, as últimas preparações são feitas, os palestrantes se colocam a postos e o debate, enfim, tem início.

ERA UMA VEZ UM JORNALISMO INDEPENDENTE

O debate Jornalirismo está inserido no contexto do lançamento do mais novo curso de jornalismo do Senac , o de Jornalismo Literário,ministrado pelo professor Guilherme Azevedo. A primeira questão colocada em pauta no debate foi relativa à independência do jornalismo. “É possível fazer um jornalismo independente?”.   Para o jornalista cultural Daniel Piza, “É possível, (…) mas é difícil”. Piza cita exemplos como Paulo Franz e Millôr Fernandes, a seu ver, jornalistas que conseguiram ser independentes. Para ele, “o jornalista independente não é aquele de esquerda ou direita, integrado ou apocalíptico (…) o gênio não é um tipo de pessoa, o gênio é uma obra. Existem jornalistas independentes sim, mas são poucos”.

Bial, respondendo à mesma questão, salientou hoje a comodidade existente dentro do meio jornalístico. Segundo ele, “o senso comum é que pauta a maioria dos gestos e exprime a preguiça de pensar de muitos jornalistas (…) deve existir uma busca cotidiana: acordar todos os dias disposto a ver e a enxergar”. Eliana Brum complementou Bial, afirmando que “ser repórter é olhar para ver” e que “começamos a ser repórteres duvidando de nossas próprias certezas”.

MITOLOGIA E JORNALISMO

O debate prosseguiu a partir da colocação do mediador Guilherme Araújo, que será o professor docente do curso Jornalismo Literário no SENAC: o jornalismo deveria abandonar cada vez mais a visão mecânica para aproximar-se do mito.

Para Sérgio Vilas Boas esta transição para o mito revela um “prazer no trajeto e não no destino”, uma vez que há muito os fins têm valido mais que os meios, essa aproximação torna-se muito proveitosa para o jornalismo. Eliane Brum com sua peculiar serenidade e seu discurso poético, ao se expor complementou Vilas Boas “esse é o resgate da subjetividade”, disse.

O DEBATE

Como era de se esperar, as discordâncias começam a tomar conta do auditório. Pedro Bial tomou microfone para fazer algumas considerações sobre tudo o que tinha sido dito até então. Discordando do que Sérgio Vilas Boas havia dito anteriormente, o apresentador afirmou categoricamente que o jornalismo impresso não vai acabar. Para ele, as pessoas simplesmente não conseguem acompanhar a quantidade de informações para cima delas. “Um amigo disse uma vez:’ não consigo apreender nada! Tento prestar atenção naquela quantidade de imagens que ficam passando na tela e ao mesmo tempo acompanhar o que estão falando. Acabo não entendendo nada!’ ”, comentou.

Sérgio Villas Boas ainda faz algumas alfinetadas à grande mídia e à Rede Globo em particular, o que acabou por tornar o debate um tanto quanto enfadonho. Seu discurso acabou se repetindo e se tornando vazio. A platéia também começa a se dispersar…

BALANÇO

De forma geral o debate foi interessante, mas o jornalismo literário em si não foi o cerne da discussão, o que não fez muito sentido dado o nome do evento ser Jornalirismo . O debate se encerrou às 22h com perguntas da platéia que foram enfadonhas, tratando mais de questões e dramas pessoais do que de temas que poderiam de fato agregar algo à discussão anterior.

Bê-a-bá de Bénabar

Não sei se já deu pra perceber, mas eu tenho uma certa (grande) queda pela cultura francesa em todos os seus níveis e acho que isso vai acabar por transparecer nos assuntos que escolho escrever por aqui.

Bem, isso posto, achei interessante falar sobre um cantor chamado Bénabar que embora não tenha quase nenhuma repercussão fora da França, constitui uma das grandes promessas da música pop do país

Bruno Nicolini, vulgo Bénabar, nasceu em 16 de junho de 1969 na província francesa de Thiais,próxima a Paris. Iniciou sua carreira profisisonal no cinema, passando a sshow em Paris,novembro de 2006er cenarista de televisão até começar, enfim, a compor músicas. Em 1997 Bénabar lança seu primeiro álbum, La  P’tite Monnaie (“A pequena moeda”), que na época passou despercebido.

É somente em 2001, com o álbum Bénabar ,que o cantor se torna conhecido no cenário musical francês, com hits como À notre santé e Y a une fille qu’habite chez moi. O cantor parte então em turnê e lança em 2003,2004 e 2005 mais três álbuns, sendo que o segundo lhe rende o prêmio de melhor álbum do ano de 2004. Com menos de 10 anos de carreira Bénabar tornou-se um ícone na França.

Suas músicas são diversificadas e o cantor se utiliza de instrumentos como o trompete, o piano e o violoncelo para se renovar constantemente. Elas tratam geralmente de temas do cotidiano, e de situações pelas quais todos os mortais já passaram: aprender a andar de bicicleta, ser obrigado ir a um jantar chato com pessoas igualmente chatas, aturar o amigo irritante que perdeu a namorada e não pára de falar um minuto nela… Tudo isso tratado de forma irreverente e humorística. A arte de Bénabar é a de produzir crônicas da vida moderna, eternizando momentos em princípio ordinários mostrando que até eles possuem sua importância.

Muito além dos muros da escola

Ok, sei que venho com um certo atraso comentar esse filme,mas não importa. Entre os Muros da Escola (Entre les murs, França 2008), dirigido por Laurent Cantet, não pode ser passado despercebido tanto por ser um excelente filme quanto pela sua temática, que continua sempre atual .

A história se passa em um colégio da periferia parisiense, que acolhe em sua maioria alunos filhos de imigrantes marroquinos, malineses, antilhanos, chineses. O professor de francês François, interpretado por François Bégaudeau, vivencia o dia-dia difícil de um colégio típico de periferia, palco de tensões sociais dos mais diversos tipos. Ele possui o desafio de dar aula a alunos indisciplinados, oriundos de meios sociais desfavorecidos e vítimas de um preconceito latente da sociedade francesa devido às suas origens étnicas.  Com o passar do tempo tanto François quanto os alunos acabam por ter um aprendizado que vai muito além dos muros da escola.

O aspecto mais fascinante do filme de Laurent Cantet é o fato de que ele retrata com uma realidade nua e crua os conflitos e contradições existentes na sociedade francesa para com os imigrantes. A escola é uma excelente metáfora para descrever um problema de cunho maior, enraizado na França e nos países europeus de uma forma geral. É o mesmo problema que levou jovens franceses às ruas em 2005 para incendiar carros. São imigrantes em sua maior parte magrebinos que saem de seus países de origem em busca de um futuro melhor na França, a pátria que os colonizou.

Recém- chegados ao país eles se deparam com a dura realidade: diferenças culturais, religiosas, dificuldade de aprendizado da língua, preconceito. Se instalam nas periferias das grandes cidades como Paris,Marselha e Estrasburgo e vivem como que excluídos do resto da sociedade. Seus filhos freqüentam escolas como a do filme em questão, criando um ciclo vicioso que culmina não raramente na expulsão do imigrante sans-papier (sem documento).

Alguns projetos que tem por objetivo gerir a imigração de forma humana ao invés de impor restrições de forma arbitrária já estão em vias de implantação. Foi inaugurado no fim de 2008, no Mali, um centro piloto de informação e gestão das migrações, trabalho fruto de um diálogo entre Europa e África. Esse centro servirá como um mediador entre o imigrante africano em potencial e a Europa. Esse imigrante será informado sobre as vantagens e desvantagens da imigração, sobre oportunidades de trabalho legal em solo europeu. É apenas um primeiro passo em direção a um diálogo maior entre os dois continentes, mas já representa uma grande conquista quando comparado às políticas imigratórias que vem sendo adotadas até então pelos países europeus.

O comissário europeu encarregado do desenvolvimento e da ajuda humanitária Louis Michel declarou ao jornal Le Monde que “nunca uma medida coercitiva, repressiva ou securitária impedirá alguém de tentar melhorar seu destino. A imigração não é um fenômeno criminoso. Ela existe desde o começo dos tempos. (…) Acolher a imigração ao invés de lutar contra esse fenômeno poderá ser benéfico para todos”. É desse tipo de discurso que a Europa necessita.

Saudações

Saudações,pessoas.

Eis que eu, Isabella, repudiadora de blogs por natureza, me rendi após alguma relutância à brincadeira. Não sei quanto tempo isso aqui vai durar, já que eu tendo a ser bem inconstante e minhas empreitadas. Também não quero postar qualquer porcaria por obrigação. Então pretendo vir aqui só quando tiver algo de relevante para falar.

Os assuntos serão diversos,não pretendo seguir uma linha específica. Aspirante a jornalista que sou, a ideia é falar de um pouco de tudo : literatura,cinema,música,política,vida em geral…

O nome Deux Magots não foi escolhido por acaso. Esse é na realidade o nome de um conhecido café parisiense do bairro Saint-Germain-des- Prés  que se tornou notório por ser o ponto de encontro da elite intelectual da cidade. Em pé desde 1885, foi frequentado por escritores como Rimbaud e Verlaine, Sartre e Simone de Beauvoir- a lista é extensa. Enfim,uma pequena analogia ao conteúdo que o blog poderá vir a ter.

Bom, eis tudo que um post introdutório deve conter.

Ah, e sejam bem vindos.