EUA: prazo para acordo está se esgotando

O impasse da elevação do teto da dívida pública coloca em cheque a classe política americana e deixa o país em posição perigosa

 

Um impasse toma conta do governo americano. Deputados e senadores, republicanos e democratas tentam chegar a um acordo sobre a elevação do teto da dívida do país, que atinge atualmente a marca de US$ 14,294 trilhões.

Se os dois partidos não chegarem a um consenso e aprovarem um plano que eleve o teto da dívida até a próxima terça-feira, o país corre o risco de entrar em default, obrigando o governo a fazer cortes nos gastos públicos, que atingirão fatalmente a população.

Na noite da última sexa-feira, a Câmara, de maioria republicana, finalmente aprovou um projeto para elevação do teto – que foi prontamente rejeitado no Senado, de maioria democrata. Uma nova proposta dos democratas também não foi aprovada na noite deste sábado na Câmara, fazendo o clima de tensão aumentar a poucos dias do prazo final para um acordo.

Evaldo Alves, coordenador do curso de Negócios Internacionais e Comércio Exterior da FGV (Faculdade Getúlio Vargas), explica como a crise aconteceu. “Os Estados Unidos atingiram um limite. O endividamento e emissão de títulos da dívida pública americana não pode passar de US$14,3 trilhões e eles já estão atingindo esse patamar”.

O grande empecilho pra solucionar a questão, entretanto, reside nas dissonâncias entre republicanos e democratas. “Os republicanos concordam em aumentar o limite da dívida desde que os impostos não cresçam, optando pelo corte de gastos. Os democratas concordam em cortar gastos, mas  dizem que os impostos têm de aumentar”, explica Evaldo.

Crises como essa no endividamento público, entretanto, não são novidades no país. “É um fator que vem se prolongando desde a última década. Nos últimos anos o governo Bush fez um corte grande de impostos e ao mesmo tempo continuou aumentando os gastos. O Clinton também passou por isso em 1995, quando os republicanos também não quiseram negociar com ele”, relembra Cristina Pecequilo, doutora em Ciência Política pela USP e Professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Consequências

Caso um acordo não seja feito e os EUA não aumentem o teto da dívida, as consequências para o país serão grandes. Os cortes de gastos terão impacto direto na população e atingirão as aposentadorias, pensões para viúvas, veteranos de guerra e até mesmo a área da saúde.

Para Evaldo Alves, entretanto, a possibilidade de calote é baixa. “Eu  não acredito que isso possa acontecer, seria o supra sumo da falta de bom senso. Isso no mercado financeiro é muito ruim, seria realmente uma posição muito degradante para um país hegemônico como os Estados Unidos”, comenta. Segundo o professor, nem mesmo o Brasil sairia incólume da situação, já que é hoje em dia o nono maior parceiro comercial dos Estados Unidos.

Obama

Para sair do impasse que já afeta sua popularidade, Obama recorreu até mesmo ao Twiter, pedindo aos seus seguidores e à população que pressionem os senadores e deputados para chegarem logo a um acordo. O índice de aprovação do presidente também caiu para 40%, informou uma pesquisa divulgada na última sexta-feira, resultado da situação econômica do país e da crise da dívida pública. Esse impasse, entretanto, não prejudica somente Obama, na opinião de Evaldo Alves.

“Isso esta afetando o Obama, mas também a popularidade dos republicanos. No fundo, fica a sensação de que a classe política não esta ali para discutir o que é melhor para o país, mas opiniões pessoais acima do interesse nacional”, estima.

Neste sábado os líderes democratas no Congresso se reuniram com Obama na tentativa de conseguir um acordo com os republicanos. Para Cristina, a situação em que o presidente se encontra agora é um sintoma de que seu governo não anda bem. “O Obama não está perdendo só a batalha econômica. Também está perdendo a batalha política”, afirma.

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