Para Cristina Pecequilo, doutora em Ciência Política pela USP e Professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a situação política da Venezuela neste momento é bastante instável.
“O grande problema da Venezuela, principalmente para o Hugo Chávez, é que no ano que vem tem a previsão de realização de uma eleição, e o país continua polarizado entre as forças populares e políticas que apoiam ele e as forças que são o contrário”, explica.
A volta de Chávez após a realização de uma cirurgia em Cuba teria sido, assim, uma forma de reafirmar seus objetivos para o eleitorado e de organizar minimamente o cenário politico.
“A volta dele dá a mostra de que haverá uma preocupação muito grande com a continuidade eleitoral. Ele voltou para dar uma aparência para a população de que, para os que o apoiam, ele está doente mas continua combatendo e, para os adversários, que ele está ainda acompanhando o processo”, afirma Cristina.
Oposição
Apesar da brecha deixada por Chávez durante sua breve ausência, a oposição do país não teve tempo suficiente para se organizar e acabou reagindo de forma muito tímida. “Essa brecha não permitiu uma reorganização rápida, tanto que foi por isso que ele voltou, para tentar ser o articulador político desse processo e tentar reordena-lo. Então a oposição ainda está um pouco perdida”, estima a cientista política.
De seu lado, Chávez afirma que não haverá transição no governo e dá a entender que se candidatará às eleições de 2012. “A oposição e a contrarrevolução andam tramando por aí, dizendo que Chávez já está acabado, que está morrendo, que tem que entregar (o poder), que virá uma transição antes das eleições (…) Se Deus quiser e com a vontade que temos vamos superar tudo isso”, afirmou Chávez em entrevista à imprensa local.
Eleições
O cenário para as eleições presidenciais da Venezuela para o ano que vem ainda é incerto e, por enquanto, não existem sucessores para Chávez nem do lado da oposição, nem dentro do partido do presidente.
Embora o vice-presidente atual de Chávez já tenha sido estimado para sucedê-lo, ele não é bem visto por facções de dentro partido chavista, por ser considerado ainda mais radical que o presidente. Assim, a escolha de um sucessor ainda é indefinida.
“Essa questão não está decidida porque o Chávez sempre centralizou muito o poder no partido. Então, de certa forma, existe uma desarticulação tanto na oposição quanto na própria situação. Os dois lados estão desarticulados e polarizados”, afirma Cristina.