Apesar do rebaixamento do rating americano de AAA para AA+, o principal problema da economia é o baixo crescimento
A recente crise da dívida americana e o rebaixamento da nota do rating de crédito dos EUA pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s de AAA para AA+ criaram um clima de incerteza não só no país como no resto do mundo: uma nova crise econômica estaria a caminho dos Estados Unidos e poderia afetar, mais uma vez, o resto do mundo?
A reação das bolsas européias nesta semana, que sofreram forte queda, contribuíram ainda mais para o cenário de incerteza que começa a se formar ante a economia americana. Para o professor Sidival Guidugli, mestre em Economia pela London University e doutor na mesma área pela Universidade de São Paulo, o rebaixamento da nota de crédito dos EUA não representa, em termos práticos, um perigo para a economia.
“Substantivamente não muda muito, porque, apesar do rebaixamento de uma empresa de rating, as outras mantiveram a classificação AAA e os títulos dos Estados Unidos continuam sendo os mais seguros que você tem no planeta”, afirma Sidival.
O próprio Obama, durante um pronunciamento, subestimou a importância do rebaixamento.
“O fato é que não precisamos de uma agência de rating dizendo ser necessária uma abordagem equilibrada e de longo prazo para a redução do déficit: isso era verdade na semana passada, era verdade no ano passado e era verdade no dia em que assumi o governo”, afirmou.
Queda nas bolsas
A queda em cadeia das bolsas, de acordo com Sidival, também não estaria relacionada ao rebaixamento da classificação, mas sim com um fator mais preocupante.
“O motivo principal da queda nas bolsas tem a ver com a baixa taxa de crescimento da economia americana. As bolsas reagiram mal porque ficou evidente nessa semana que a economia dos EUA, que parecia estar retomando o crescimento, está crescendo pouco – o que é ruim pra economia americana e mundial”, explica.
Em 2010 a economia do país cresceu apenas 2,9%. Uma estimativa do FED (Banco Central Americano) também não trouxe expectativas animadoras: os EUA deverão crescer não mais que 3% neste ano enquanto a China, por exemplo, cresceu 9,6% apenas no primeiro semestre de 2011.
Apesar da queda
Apesar do cenário pouco favorável para o crescimento, os Estados Unidos ainda detêm um grande poder econômico e alto volume de negócios, podendo influenciar outras economias do globo.
“Até onde podemos vislumbrar, eles continuarão sendo a maior economia pelos próximos anos apesar da taxa de crescimento de outros países, como a China. Eles passaram por um período de turbulência mas eles continuam sendo a economia mais influente”, garante o especialista.